Estávamos passeando pelo centro de Montevidéu, eu, minha mãe, meu irmão e uma amiga. Já era horário de almoço (para nós, porque para os uruguaios era cedo, afinal, costumam almoçar tarde). Vimos um restaurante agradável e resolvemos almoçar ali mesmo. Sentamo-nos à mesa do lado de fora, o garçom veio nos atender, fizemos os pedidos e ficamos aguardando.
Minutos depois chegaram as “mini-pizzas”. “Mini” porque era porção individual, mas exagerado para uma pessoa. Comíamos tranqüilamente, conversávamos... e eis que chega um menininho lindo de uns 6 anos, com roupa velha, jeitinho educado, carregando alguns marca-páginas e cartõezinhos na mão.
Nos ofereceu para ver e então eu peguei alguns. Olhei calmamente cada cartãozinho, escolhi um e dei uma moedinha para ele.
– ¿Cómo te llamás?
– Juan.
– ¡Que lindo nombre!
E minha mãe disse:
– Dá um pedaço da sua pizza pra ele.
Cortei cuidadosamente e entreguei-lhe.
– ¡Gracias! – E deu uma mordidona.
– ¡Hummm, que rico! ¡Tiene aceitunas! – Exclamou todo feliz.
Sorri e os olhos encheram-se de lágrimas.
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